quarta-feira, 6 de junho de 2007

Meu querido frigorífico

Sabes que eu te adoro, não sabes? A tua portinha amarela, o teu metro de altura, os teus ímanes decorativos, o teu hálito fresco… Isto tudo apesar de teres uma prateleira partida e de a tua porta do congelador cair de cada vez que te abro (repara que até veio um cirurgião aplicar-te um parafuso na articulação, mas mesmo assim… fractura profunda. Sinto muito.).
Invocando desta forma a nossa amizade (sei bem que recente, mas mesmo assim estreita e profunda), pergunto: porquê? Porque te esvaziaste tu nestes últimos dias? Porque só me apresentas um frasco de mostarda, três iogurtes e uns raminhos de brócolos? Porquê? Qual a razão de tal silêncio, de tal despojamento? Porque me deixas tu neste jejum angustiante, tendo de me alimentar a sopas de pacote? Onde é que errei? Disse alguma coisa inconveniente? Terei batido a tua porta com demasiada força? Ter-te-ei porventura deixado aberto durante demasiado tempo? Ter-me-ei descuidado na frequência dos teus banhos? Não gostas do champô que te aplico?
Se fiz alguma coisa errada, acredita que não foi com essa intenção. Aqui ficam as minhas desculpas.
Se eu fosse a Floribella invocava as fadinhas dos frigoríficos para intercederem, junto de ti, a meu favor.
Façamos as pazes, frigorífico do meu coração. Pela tua mãezinha. Antes que eu tenha enjoado todas as sopas do supermercado.

7 comentários:

Jose Manuel disse...

Não, não foi por fechares a porta com muita força. Não, não foi por a teres deixado aberta durante tempo demasiado. Nada disso. Chave do enigma que não o é: sabes, sentes que se aproxima a passos largos a hora em que manutencionários chegarão para tratar do recheio.

Anónimo disse...

...uma garrafa de sopa a conservar no frigo comprada no Monoprix, du lait, du fromage, jambon, endives (avec du gruyère), jus d’orange, salade verte, avocat aux crevettes, tarama, …
Mariana, descend chez monoprix et n’oublie pas la baguette...
verás que vale a pena et ton très cher frigo te remerciera.
Bisou
tia Isabel

Porfírio disse...

A explicação do José Manuel é a mais razoável... mas podem sempre ser as bruxas do post anterior. Ou pensavas que os posts não ganham a sua própria vida dentro do blogue e não começam a fazer maroteiras?

Mariana la Parisienne disse...

Pois bem, tenho a dizer que fiz as pazes com o meu frigorificozinho, mas ele não me quis dizer a razão do amuo... Prefiro não acreditar na hipótese das maroteiras inter-posts, porque tenho, mais a baixo, o Sarkozy... Nunca se sabe o que poderia vir dali…
Em todo o caso, cheira-me que os «manutencionários» apreciarão esta minha reconciliação.
Tia: obrigada pelas dicas ;)

Paula Marques disse...

Pois é, Mariana, não trouxeste as bruxinhas contigo para elas irem ao supermercado às escondidas e encherem teu frigo.
Mais 1s dicas a juntar às da tua tia: gaspacho alvalle, tortilha empacotada, sobremesas da Alpro de choco puro. Têm longos períodos de validade e já desenrascaram mais do que 1.

Muita ternura para uma pessoa que eu admiro cada vez mais, Paula Marques

PS Um segredo entre nós: eu tb vivi perto de Paris (Orsay) entre os meus 4 e 8 anos. Neste momento estou exportada em Bruxelas. As tuas palavras são música para os meus ouvidos.

Anónimo disse...

O teu frigorifico tem dá ares de ser um grande confidente e amigo , só pela cor laranja que apresenta ! Fico feliz por terem feito as pazes.
beijinho*
JB

Anónimo disse...

O teu frigorifico dá ares de ser um grande confidente e amigo , só pela cor laranja que apresenta ! Fico feliz por terem feito as pazes.
beijinho*
JB

(houve um pequeno erro.. por isso mando.te outra vez o meu amigavel comentario ao frigorifico e à vossa amizade)