terça-feira, 21 de julho de 2009

Fim de semana no Ceará

- Aí gente, ‘ceis ‘tão sabendo que esse final-de-semana tem show lá no Ceará, é o acampamento da juventude. Fica a uns 350km de Natal. É um encontro latino-americano. Partiu?
- Partiu.

Quase sem pestanejar, os cinco decidiram pegar no Renault Clio de serviço e rumar ao Ceará no mesmo dia. Fizeram as malas, arranjaram uma tenda e aqui-vamos-nós-que-já-se-faz-tarde.
Às 20h30 paravam então numa bomba de gasolina para abastecer e verificar a pressão dos pneus. Tudo legal, vamos nessa ó Vanessa, até que… um dos pneus desmaiou. Caraca maluco! Debaixo de uma chuva torrencial, trocou-se de pneu, discutiu-se o futuro, o próximo, entenda-se, e decidiu-se parar no caminho durante a noite, adiando a chegada ao acampamento de um dia.
Na manhã seguinte, más notícias: para além das chuvas torrenciais e do mau estado anunciado da estrada, o pneu não tinha mais reparação.
- Então, agora a gente ‘tá sem pneu sobresselente (ler: sôbrêssssêlentchi)… Partiu?
- Partiu.

E aí foram, apesar do dilúvio, ziguezagueando entre os tão inúmeros quanto consideráveis buracos e camiões. Oloucomeu! Os buracos mais pareciam crateras de meteoritos e eram frequentemente assinalados por marcas de pneus no alcatrão e restos de borracha. Os camiões tinham sempre mensagens na traseira, como “Deus é fiel”, “Deus é o pai” ou “Jesus Cristo Salvador”. Resta saber a quem são dirigidas: se ao motorista do camião para sua protecção, se ao motorista do carro de trás para seu aconchego e tranquilidade.
Passaram por várias aldeias, de nomes exóticos e apetitosos como Canoa Quebrada, Peixe Gordo, Melancias de Cima ou Melancias de Baixo. Sempre casas de tijolo revestidas a azulejo branco, sempre os botecos pintados de amarelo e vermelho cor da cachaça, sempre as barraquinhas a vender fruta, sempre as ruas mais ou menos de geração espontânea. Sempre uma igreja, Assembleia de Deus, Igreja Universal do Reino de Deus, também casinha de azulejo. Sempre moleques a correr, sempre algum cavalo ou burro na rua, sempre galináceos a cacarejar. Entre as aldeias, paisagens sempre bem verdes, riachos, morros e planícies. Muito maneiro.
Bem coladinhos no carro e cantando alegremente, chegaram enfim sãos e salvos a Icapui, à praia de Tremembé, onde tinha lugar o festival.
Montaram a tenda e seguiram para o concerto. Era Nando Reis que se apresentava. Uma música simpática e dançante. Deu para aquecer dando um pezinho de dança.
Seguiu-se Beto Barbosa, o rei brasileiro da lambada. Supremo do pimba brasuca. Cinco dançarinas em palco de trajes menores agitavam-se em cadência, enquanto o dito Beto na sua roupa justa saltitava apregoando “Adocica meu amor, adocica”. E o público em êxtase, nomeadamente aqui estes cinco que perderam a cabeça perante tamanho sucesso musical. Dançaram desenfreadamente, desencaixando bundas e articulações variadas, tentando imitar as garotas no palco ou acompanhando um eventual par.









Até ao amanhecer. Nada melhor então que uma sesta na praia e uns quantos banhos na água morna…
Acabada a festa, desmontaram a tenda e voltaram a Natal. Tão simples quanto isso.
Foi show de bola.

3 comentários:

Porfirio Silva disse...

"Foi tão simples quanto isso" é a frase mágica para descansar uns certos Papai e Mamãe que eu bem sei...
Mas lá que está apetitoso esse estágio, está sim senhora.

Anónimo disse...

paréce qui "foi show de bola" meismô cara :P

JBabo

Soha disse...

HAHAHA!
Não, não foi NADA simples MESSSMOO!
Mari, vc pulou muitos detalhes heim!
Mas que foi uma óptima experiência, isso foi....
BJS.