domingo, 20 de maio de 2007

Noite dos museus em Versailles

19h16: comboio para Versailles. Vamos a isso. E lá estão as cinco meninas, pocaterra pocaterra, rumo ao Palácio.
Quando chegam ao dito, vêem uma multidão de gente, bem arrumadinha, em filinhas serpenteantes pelo pátio fora. Não vamos ficar aqui, pois não? Não. Decidem então ir para o Lago dos Suíços. Toalhinha aos quadrados, sanduíches, fruta, sumos: pic-nic na relva. Silêncio total, paz. Estes patos estão a pensar confraternizar connosco? Uma dezena de patos começa a aproximar-se, a rodeá-las, isto será uma estratégia de ataque aos nossos mantimentos? Não posso fugir, estou descalça… E foi aí que, mostrando a superioridade do Homem, as cinco meninas enxotaram os tão temíveis Anatídeos, não sem alguns estridentes gritos de guerra. Nós não somos histéricas, apenas queremos proteger aquilo que é nosso... Vitoriosas, prosseguiram o repasto e puseram-se na jogatina. Reis, rainhas e valetes, na toalha aos quadrados, batalhas, vitórias e derrotas com muitos risos no ar. Mas a implacável noite foi caindo, a humidade, e uma ameaça silenciosa: melgas, mosquitos, bicharocos saltitantes verde florescente, formigas aventureiras… E se fôssemos tentar entrar no Palácio…? Uma horita de paciência e às 23h30, subiam orgulhosas as grandes escadarias.
Lá dentro, um fundo de música clássica, e choros de miúdos cheios de sono, acompanhava a visita. Nas paredes de veludo, projectavam imagens, deixa-me cá esticar o pescoço, bicos de pés, não vejo nada…, de reis, rainhas e valetes. Como já era noite avançada, as salas tinham uma luz bem especial, luz da lua, luz amarelada de lustres, dos flashes que disparavam a torto e a direito, e numa janela surgiu um fogo de artifício. No quarto da rainha, exibiam vestidos da época, são mínimos, serão de criança? E na galeria dos espelhos, distribuíam-se máscaras para ver a três dimensões imagens virtuais de um baile, ora com máscara… sem máscara… com máscara… não vejo diferença… E lá foram as meninas, deambulando pelos corredores magníficos, pelas salas majestosas, aos encontrões, aos empurrões, com pisadelas, cotoveladas, pensando no ambiente de época, não sei como era na altura, mas agora tresanda a transpiração, imaginando os frufrus dos vestidos, neste caso dos fatos de treino, dos kispos, dos ténis… E ao sair, esperaram o coche, com cavalinhos e um elegante cocheiro, mas só chegou um Noctilien, autocarro nocturno, com polícia lá dentro e tudo.












6 comentários:

Mab disse...

Mesmo de máscara, posso ver a princesinha!

gracanieto disse...

Querida Mariana, lembrei-me da ida a versailles com o Mr. Girard, a mãe(lembras-te Augusta?) o tio, eu gravidisima do Afonso portanto nós, numa tarde de Novembro domingueira a subir as escadas apinhadas de gente e a pensar se iria aguentar aquele calor o cheiro a suor e outros odores, etc etc...... Beijs

Jos disse...

Nem fatos de treino, nem Kispos e, presume-se, nem ténis. Quem são, então, estas quatro intrusas que irromperam, de máscaras, no palácio de Versalhes?

Paula Marques disse...

Mariana, desculpe a intrusão.
Esta morada veio parar-me às mãos e eu delicio-me a ler os seus relatos.
Só para a consolar: em termos de odores, naquela época, era mm muito pior.
Reparou que não havia WC?
Era mm no cantinho, as aliviaduras.

Muita estima, P.

Porfirio Silva disse...

Este blogue está já a ganhar uma imensa velocidade, Mariana. Já me ponho a adivinhar um dos próximos "começou por ser um blogue e agora é um livro". Estou, assim, a reservar já um lugar para o lançamento. Acho que a roda da "Varanda das Azenhas" (se tu ainda tiveres paciência para ela...) vai ter nova animação nas próximas sessões. Mas cuida-te: os teus leitores já não são só "amigos e conhecidos". E, como alerta MAB, mesmo de máscara não te escondes!

Anónimo disse...

um comentário muito atrasado:
mas também podemos imaginar Versailles a cheirar a flores, com rosas, laços, fitas, sapatos, colares, doces e sofisticada pastelaria: Marie Antoinette de Sophie Copolla.
beijinhos
Tia Isabel